História no Radioamadorismo

 Minha História no Radioamadorismo

    Minha paixão por rádio não começou agora. Ela nasceu muito antes de eu imaginar que um dia teria meu próprio indicativo.

    Desde criança, sempre fui fascinado por rádios de pilha. Gostava de girar o dial, tentar captar emissoras distantes, imaginar de onde vinham aquelas vozes. O rádio, para mim, nunca foi apenas um aparelho — era um portal para o mundo.

    O momento decisivo veio quando eu e meu irmão compramos, em um camelô, um walkie talkie de brinquedo chamado Marine. Era simples, limitado, praticamente um brinquedo. Mas em uma dessas tentativas curiosas, conseguimos copiar um QSO. Naquele instante, algo despertou dentro de mim. Percebi que existia um universo inteiro acontecendo pelo ar. Aquilo não era apenas interferência — era comunicação real.



    Outro marco importante foi meu tio, que nos anos 90 trabalhava como perueiro (motorista de lotação) e tinha um PX instalado no veículo. Eu achava aquilo incrível. O rádio fazia parte do dia a dia dele, conectando pessoas, organizando rotas, criando uma rede viva de comunicação. Aquela cena ficou gravada na minha memória.

    O tempo passou, mas a paixão permaneceu.

    Anos depois, comprei um HT Baofeng “só para corujar”. A ideia era apenas ouvir, aprender e entender melhor aquele universo que sempre me fascinou. Mas não demorou para eu perceber que não queria ser apenas ouvinte. Eu queria participar. Queria chamar. Queria responder.

    Corujei colegas que mais tarde tive a honra de conhecer e conversar no ar. Vozes que antes eram apenas sinais no alto-falante passaram a ser amizades construídas na frequência.

    Então tomei a decisão: tirei meu indicativo.

    Logo depois adquiri meu primeiro rádio base, um QYT 8900 — equipamento que tenho até hoje e que representa um marco na minha trajetória. Foi com ele que comecei a estruturar minha estação, investir em antenas, estudar propagação, ajustar estacionária e evoluir tecnicamente.


    Fui crescendo no hobby. Progredindo. Aprendendo. Construindo minha estação e, principalmente, construindo laços.

    Não sou um radioamador muito antigo no hobby. Minha caminhada licenciada é relativamente recente. Porém, minha paixão por rádio vem desde muito jovem. Ela nasceu na infância, passou pelo PX do meu tio, pelo walkie talkie de brinquedo comprado no camelô, pelos rádios de pilha, pelas noites corujando frequência… até se transformar em algo maior.

    



Hoje, cada QSO carrega um pouco daquela primeira emoção de descoberta.

    E foi assim que aquele menino curioso se tornou oficialmente:

PU2YXC — A voz forte da Norte.

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